ALGUNS DADOS HISTÓRICOS

Ao traçar o esboço histórico de Salgueiro do Campo, noto sinceramente o pequeno valor como núcleo populacional do passado, embora a sua origem se adivinhe bastante distante.

Historiar qual a época precisa da sua origem é tarefa difícil, pois que foi uma pequena localidade que deixou pegadas imprecisas e fracamente assinaláveis ao correr dos séculos.

A mais antiga referência ao Salgueiro encontrámo-la na Monografia de Castelo Branco, de António Roxo, onde diz: -- «Em 1182 Fernando Sanches faz doação aos Templários da herdade da Vila Franca da Cardosa, assinala-lhe os respectivos limites e nela inclui S. Lourenço do Salgueiro».

Em 1213 passou a Vila a ter o nome de Castelo Branco.

Não podem restar dúvidas que S. Lourenço é a zona onde ainda hoje se situa a capela dedicada àquele Santo pois que Porfírio da Silva, no seu «Memorial Cronológico e Descritivo da Cidade de Castelo Branco», se refere a ela nos seguintes termos: --«S. Lourenço e S. Pedro do Salgueiro pertenciam à extinta Ordem de Cristo (que substituiu a Ordem dos Templários) de Santa Maria do Castelo». E diz ainda: « -- A ermida de S. Lourenço está situada em um alto além da Ocreza, nas proximidades de Palvarinho, a mais de uma légua distante da cidade».

Em o «Título das Comendas da Ordem de Cristo e de Avis», ao dar conta das disposições relativas à paróquia de Santa Maria do Castelo quanto à avaliação das rendas, no ano de 1563, notámos uma breve referência ao Salgueiro, como segue: «As igrejas de santa maria e são miguel da vila de castelo branquo com suas anexas de monforte, escalhos de baixo, escalhos de cima, cafede, sam domingos dalem ponsul e o salgueiro, sam comendas da ordem de cristo he delas comendador dom fernando de meneses, leva o dito comendador das Quatro partes dos dízimos as tres partes e o Bispo leva a quarta parte e destas tres partes do comendador se pagão os vigairos e os beneficiados das ditas igrejas. rendem ao dito comendador as tres partes dos dízimos que levão nestas igrejas com as promícias, próprias e granjas, tiradas as despesas ordinárias necessárias conforme o regimento e asy os salários dos vigairos e beneficiadosOutocentos nouenta e cinco mil duzentos cincoenta e quatro reais».

Também a acta mais antiga que se encontra no arquivo municipal, de Janeiro de 1655, se refere ao Salgueiro e se transcreve:

«Termo da Camera

Ao primeiro dia do mes dejaneiro de mil eseis sentos esincoenta esinco annos estando em acaza da Camera odoutor domingos Cayado Rebelo, juiz de fora, pedro dandrade, Miguel Achioli Boino, Gaspar mousinho magro,vreadores, gonsalo gomes, procurador, mandarão oseguinte:

SALGUEIRO:

e logo na dita Camera abrirão a pauta dolugar do salgueiro e tirarão por juízes dadita pauta António martins e Manuel antunes por juízes, e por procurador pedro gil eojuíz lhe juramento dos santos evangelhos por cargo doqual lhe em carregou que bem everdadeiramente servissem odito ofício e oserviço desua magestade e assinarão aqui. Manuel ferrão de pina oescreveu».

A partir de 1714 mais fácil nos é conhecer a história do Salgueiro mercê dos registos paroquiais contidos no «Livro de Usos» existente na Igreja.

Há no entanto um documento existente na Torre do Tombo que se refere a um inquérito feito nas freguesias em 1758 e que se transcreve:

«Informando-me com as pessoas mais velhas e fidedignas, examinando as coisas mais notáveis que há em esta freguesia do Salgueiro do Arciprestado de Castelo Branco, Bispado da Guarda, achei que responder o seguinte aos tempos da religião:

Ao 1º -- Respondo que fica este lugar de Salgueiro em um monte na província da Beira Baixa, é do Bispado da Guarda, da comarca e termo de Castelo Branco.

Ao 2º -- E de Illmº Nosso Senhor.

Ao 3º -- Tem quatrocentos e oitenta pessoas e tem cento e setenta fogos.

Ao 4º -- Está situada em um monte, dele se descobre Sarzedas que dista duas léguas, S. Vicente da Beira que dista três léguas, Sobral que dista duas léguas, Ninho do Açôr que dista uma légua.

Ao 5º -- Não tem termo seu, pertence ao de Castelo Branco.

Ao 6º -- Esta paróquia tem mais duas aldeias, uma chamada Palvarinho outra Juncal.

Ao 7º -- Chama-se o orágo desta freguesia S. Pedro. Tem cinco altares, um da invocação de Santa Ana, outro da invocação do S. N. de Deus, outro da Senhora do Rosário, outro das Almas e outro de S. Pedro.

Ao 8º -- O prelado é vigário da Ordem de Cristo apresentado por Sua Magestade que Deus Guarde, como Grão-Mestre tem de renda cento e oitenta mil réis.

Ao 9º -- Não tem beneficiados.

Ao 10º -- Não tem Conventos.

Ao 11º -- Não tem Hospital.

Ao 12º -- Não tem Casa da Misericórdia.

Ao 13º -- Tem duas ermidas, uma ao cimo da povoação da invocação de S. Sebastião, outra na aldeia do Palvarinho e dentro dela, da invocação da Senhora do Bom Sucesso, tem mais outra fora da aldeia do Juncal da invocação do Apóstolo S. Simão, todas pertencentes à mesma freguesia.

Ao 14º -- Não acode a elas em tempo algum gente em romagem.

Ao 15º -- Os frutos que colhem em mais abundância os moradores da terra são: trigo, centeio, milho miúdo, feijões fradinhos e azeite.

Ao 16º -- Não tem juízes ordinários nem comarca, é sujeito ao governo da justiça de Castelo Branco.

Ao 17º -- Não é couto nem cabeça de concelho nem foro.

Ao 18º -- Não há memória que desta terra saíssem nem florescessem homens insígnes por virtudes, letras ou armas.

Ao 19º -- Não há feira alguma.

Ao 20º -- Não há correio porém serve-se com o de Castelo Branco que dista desta duas léguas.

Ao 21º -- Dista esta terra da cidade Capital do Bispado da Guarda treze léguas e da cidade de Lisboa Capital deste Reino trinta e cinco léguas.

Ao 22º -- Não tem privilégio, antiguidade, ou outra coisa alguma digna de memória.

Ao 23º -- Não há nesta terra nem perto dela fonte nem lagoa célebre que as suas águas tenham qualidade especial.

Ao 24º -- Nesta terra não há porto de mar.

Ao 25º -- Não é esta terra murada, nem há em ela castelo algum, nem torre.

Ao 26º -- Em terramoto de mil setecentos e cinquenta e cinco não padeceu ruína alguma.

Ao 27º -- Não tem coisa alguma de memória, mais do que aqui vai escrito.

Ao 28º -- Não há serra alguma em esta terra nem em sua freguesia nem coisa digna de memória.

Ao 29º -- Não há rio em esta terra que dele se faça memória.

Salgueiro, Março, 1, de 1758

O Vigário -- Fr. António Dias Belo

A juntar a estes documentos, anotam-se as datas de duas casas da Rua do Rossio:

Uma, onde sobre a janela encontramos a data de 1572, tendo no meio, esculpida, a Cruz de Cristo.

Outra, na mesma rua, de portados quinhentistas, onde encontramos a data de 1603.

Emblema do 8º Centenário (Autoria de José Raposo)

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