O S. JOÃO

No Salgueiro, como nas povoações vizinhas, festejava-se particularmente o S. João.

Esta festa tinha certo carácter bairrista pois que, enquanto quaisquer outras se realizavam por toda a povoação em determinado local, esta era organizada por bairros e as raparigas, principalmente, não trocavam por outra a festa do seu bairro e para a qual tinham contribuído.

Na noite de S. João, acendiam-se as fogueiras, alimentadas a macela ou rosmaninho que o rapazio, de tarde, trouxera dos campos.

Os rapazes percorrem as ruas lançando bombas e saltando as fogueiras. Aqui e além, grupos de raparigas fazem-se ouvir com as canções da quadra festiva.

Ai! S. João subiu ao Céu.
Ai! Sozinho sem mais ninguém.
Ai! Numa mão livav'ó cálix,
Ai! Na outra Jasus mê bem.

Ai! Si fores ao S. João.
Ai! Traz-me lá um S. Joãozinho.
Ai! Si não puderes c'um grande,
Ai! Traz-m'um mais picanino.

Ai! S. João era bom homem,
Ai! Si não fosse tão valhaco.
Ai! Foi com as moças à fonte,
Ai! Foram três vieram quatro.

Ai! Donde vindes S. João,
Ai! Pela calma sem chapéu?
Ai! Venho de ver as fogueiras,
Ai! Que s'acenderam no Céu.

Antigamente, os rapazes içavam um pinheiro revestido de macela, ao qual lançavam fogo, depois de nele haverem pendurado uma panela de barro contendo um gato.

Os da Baixa içavam-no no largo da Estrada; os da Alta no largo do Calvário; e outros ainda, por vezes, nos Barreiros (onde hoje se situa o edifício dos C.T.T.). Uns e outros rondavam o pinheiro dos adversários na tentativa de o derrubar, o que era considerada grande proeza mas, por vezes, motivo de desacatos.

Após a queima do pinheiro, seguia-se o baile ao som do armónio, do realejo ou da guitarra, intervalado com as canções do S. João acompanhadas pelo adufe.

Após o baile, no silêncio da noite e a coberto da escuridão, os rapazes retiravam os vasos de flores das janelas e varandas e expunham-nos no chafariz ou na Praça, que as moças na manhã seguinte procuravam.

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